Final Fantasy VII do PS1 foi um dos jogos que mais marcaram a minha infância, então quando a Square Enix decidiu refazer o clássico de 1997 eu fiquei dividido entre a empolgação e o medo. Será que dava pra mexer numa lenda sem estragar tudo?
Depois de zerar e platinar Final Fantasy VII Remake, posso te dizer com todas as letras que eles conseguiram quase uma obra-prima.
Chegou então a hora. Final Fantasy VII Remake, análise onde eu vou contar minha experiência real depois de fazer absolutamente tudo que é possível no jogo, como Midgar virou uma personagem, por que a expansão da história me ganhou, o motivo de eu achar o combate o melhor da franquia, e também aquele final que me incomodou um pouco. Sem spoiler pesado no começo, prometo. Vamos lá!
Minha Jornada em Midgar
Comecei Final Fantasy VII Remake já sabendo o roteiro de cor, e mesmo assim me peguei surpreso a cada esquina. Zerei sem pressa, explorei cada beco das favelas e fui atrás da platina, porque quando um jogo me prende eu não quero que ele acabe, não é a toa que zerei duas vezes seguidas.
O engraçado é que o original de 1997 me marcou pela escala gigante, aquela viagem pelo mundo inteiro atrás de Sephiroth. Já o Remake aborda só a parte de Midgar, como se fosse o primeiro CD dos 3 do clássico (Ow nostalgia), e estica isso num jogo inteiro de cerca de 40 horas, isso sem contar a DLC que adiciona mais 10 horas em um enredo que me fez admirar uma personagem que eu nem dava muita bola no clássico.
Eu tinha medo de que isso fosse virar enrolação, mas pra mim não foi. Muito pelo contrário, na verdade tudo que tinha no jogo original foi expandido e todos os personagens foram amplamente mais aprofundados de uma forma que ganharam ainda mais personalidade.
Midgar Nunca Esteve Tão Viva
A primeira coisa que me conquistou foi a cidade. Midgar está linda, e não falo só de gráfico bonito. Falo de como o jogo finalmente me fez entender a cidade.

No clássico, a divisão entre as placas lá em cima (a parte rica, iluminada) e as favelas embaixo (a parte oprimida, sufocada pela sombra das placas) era mais uma ideia do que uma sensação, que ainda mais sendo uma criança na época não me passava o que realmente é.
Em Final Fantasy VII Remake eu senti isso de verdade. Andar pelo Setor 7, ver a poeira, a gambiarra, a vida das pessoas que moram literalmente debaixo dos pés dos ricos, isso deu um peso novo à luta da AVALANCHE contra a Shinra. Ainda mais podendo mover livremente a câmera agora e olhar toda aquela estrutura acima das pessoas dá outra dimensão política e social a cidade de Midgar.
Foi como se o jogo tivesse desenhado a estrutura social de Midgar com uma clareza que eu nunca tinha captado antes. A verticalidade da cidade vira argumento. Quando você sobe na placa, a mudança de ar é notável. Esse tipo de leitura mais clara da cidade e da divisão de classes é, pra mim, um dos maiores acertos silenciosos do remake.
A Expansão da História Com Profundidade, Não Enrolação
Eu sei que “expandir a história” assusta muita gente, e me assustou também antes de jogar o game, porque normalmente vem junto com missão de buscar três gatos perdidos. Aqui eu vejo com bons olhos, e olha que sou exigente.
A expansão serviu pra dar profundidade a todo mundo. Personagens que no original eram quase figurantes ganharam tempo de tela, motivação e personalidade. A própria AVALANCHE, com Biggs, Wedge e Jessie, deixou de ser “os amigos do Barret” e virou um grupo pelo qual eu passei a me importar de verdade. Quando a coisa aperta pra eles, dá pra sentir.

Cloud, Tifa, Aerith e Barret também saem mais inteiros dessa. O Remake teve espaço pra mostrar nuances, silêncios, piadas e traumas que o formato apertado de 1997 não comportava. O resultado é que cada um ficou mais único e cheio de personalidade.
Não é encheção de linguiça, é realmente construção de personagem, e isso se aplica aos vilões da história também. Eu terminei conhecendo todo mundo melhor do que conhecia depois do clássico inteiro e entendendo muito mais as motivações e princípios de cada um.
Combate: A Fusão Perfeita Entre Ação e Turnos

Se tem uma coisa que eu quero enfatizar nesta análise, é sobre o combate. Final Fantasy VII Remake fez uma coisa incrível unindo ação em tempo real com o velho ATB (Active Time Battle) de um jeito que faz sentido pros dois lados da torcida.
Funciona assim, você ataca, desvia e se movimenta em tempo real, e isso enche a barra de ATB. Quando ela enche, você pausa a ação e escolhe magias, habilidades e itens com calma, como num RPG de turno clássico. É o melhor dos dois mundos. O jogador de ação tem adrenalina, o jogador de turno tem estratégia, e ninguém sai insatisfeito.
Trocar de personagem no meio da luta, cada um com um estilo próprio, dá um tempero tático delicioso. Eu passei a pensar em cada inimigo, na fraqueza dele e em quem botar na linha de frente. Pra ser bem sincero, achei tão bom que, na minha opinião, todos os jogos da franquia deveriam seguir esse modelo daqui pra frente.
Progressão Que Recompensa Quem Explora
A progressão acompanha o combate na medida certa. Nada de inflar números só pra parecer que você evoluiu. O sistema de Materia é muito bom, e o jogo recompensa quem testa combinações e explora os cantos do mapa atrás de equipamento e habilidade.
É realmente necessário usar diferentes equipamentos e se preocupar com habilidade e progressão de cada personagem para poder fazer frentes ao inimigos e chefes ao avançar na história, e por mais que possamos ter somente três personagens no máximo em combate, todo mundo precisa de atenção e tem seus momentos de brilhar em combate.
Trilha Sonora Nostálgica e Atualizada
Eu não consigo falar desse jogo sem falar da música. A trilha sonora é impecável. Os arranjos pegam os temas que eu ouço desde criança e os reorquestram com um carinho que dá arrepios pra quem carinho pelo jogo e prendem quem está conhecendo o jogo pela primeira vez.
Pra quem jogou o clássico, é golpe baixo no bom sentido, às vezes basta a primeira nota de uma música conhecida tocar numa versão nova pra eu já querer ficar só ouvindo.
Nostalgias a parte, Final Fantasy VII Remake consegue casar muito bem a emoção dos personagens e o sentimento das cenas através da música, além disso, o contraste musical com as partes mais frenéticas conseguem colocar o jogador no ritmo do que está acontecendo no jogo com maestria.
O time de Masashi Hamauzu e Mitsuto Suzuki, com Nobuo Uematsu (o compositor do original) assinando o tema principal, fez um trabalho que mistura nostalgia e frescor. Não é à toa que o jogo levou o prêmio de Melhor Trilha no The Game Awards 2020. É merecido, e é o tipo de coisa que faz a experiência transcender o gameplay.
Sephiroth, e os Whispers

Aviso de spoiler leve daqui pra frente.
Meu maior incômodo com o Remake está aqui. Primeiro, a presença do Sephiroth. No clássico, parte da força dele vinha do mistério, da ameaça que cresce devagar, de ouvir histórias e as pessoas falando de um personagem que até então nem deu as caras ainda. Aqui ele aparece cedo, e pra mim isso tirou um pouco desse suspense, mas logicamente, isso só vale pra quem já conhece a obra original.
E não me entenda mal, Sephiroth pra mim é o maior e melhor vilão da história dos jogos, e “atormenta” o Cloud de forma épica. E eu entendo também que por se tratar de um jogo único com início, meio e fim, ele se fez necessário. Só o que pega mesmo é a comparação com a história que eu já conhecia.
Segundo, os Whispers, os tais Arautos do Destino. São criaturas que existem pra manter a história nos trilhos do jogo de 1997, e o grupo acaba lutando contra elas pra “desafiar o destino”. E aí vem o final, aquele confronto maluco contra o Sephiroth fora de qualquer lógica do clássico. Nada disso tinha naquela época.
Sendo be honesto, achei esse final muito maluco e sem sentido. Não é nada que estrague a experiência incrível que veio antes, mas são escolhas fortes que, na minha cabeça, não combinam com o Final Fantasy VII que eu amo.
A própria Square Enix, pela boca de gente como Tetsuya Nomura e Yoshinori Kitase, deixou claro que queria que algo “se conectasse ao que vem depois do final”, e que o desvio do destino é proposital, parte de um plano maior pra trilogia. Ou seja: eles sabiam exatamente o que estavam fazendo. Isso não apaga meu incômodo, mas pelo menos me garante que não foi roteiro preguiçoso. É uma aposta de direção, e eu fico com o veredito final no meu gosto pessoal: respeito a ousadia, mas sinto falta do clássico.
DLC Com Conteúdo de Verdade

A DLC (Intergrade) de Final Fantasy VII Remake é praticamente outro jogo a parte. Trazendo a história da Yufie em Midgar, ela dá muito mais sentido a essa personagem e ao que faz ela se juntar ao grupo mais pra frente na história.
Além de introduzir algumas mecânicas novas para o combate, toda a história desenvolvida nessa DLC vai passando “perto” da história principal do jogo e dá um outro ponto de vista dos mesmos eventos que já vivenciamos.
Assim além de ser uma história muito bacana e com combate mais evoluído, ela ainda complementa o jogo base como um todo.
Pontos Fortes, O Que Eu Amei em Final Fantasy VII Remake
- Midgar viva e crível, com a divisão entre Placas e favelas finalmente clara e impactante
- A expansão da história usada pra aprofundar personagens de verdade, não pra encher tempo
- O combate híbrido de ação e ATB, na minha opinião o melhor sistema da franquia
- Progressão e sistema de Materia que recompensam exploração sem grind chato
- Trilha sonora impecável e nostálgica, premiada e merecidamente
Pontos Fracos Que Poderiam Ser Melhor
- Sephiroth presente cedo demais, o que gasta um pouco do mistério do vilão
- Os Whispers (Arautos do Destino) como elemento que, pra mim, destoa do tom do clássico
- O confronto final, ousado, mas que brigou com a lógica do Final Fantasy VII que eu cresci amando
Vale a Pena Jogar Final Fantasy VII Remake em 2026?
Vale muito a pena, e talvez nunca tenha sido tão fácil entrar nessa jornada. O jogo já roda em PlayStation 4, PlayStation 5 (na versão Intergrade, com o episódio extra da Yuffie) e PC, e em 2026 ficou ainda mais acessível chegando ao Nintendo Switch 2 e ao Xbox Series. Se você adiou por falta de console, a desculpa acabou.
Some a isso o fato de a trilogia ter um fim à vista, depois de nossa análise de Final Fantasy VII Rebirth, a Square Enix já anunciou o capítulo final pra fechar a história, e eu reuni tudo o que sabemos sobre Final Fantasy VII Revelation. Ou seja, quem começa agora não fica preso num gancho eterno.
Pra quem nunca jogou o clássico, o Remake é uma porta de entrada espetacular, contanto que você entenda que ele se permite reescrever algumas regras. Pra quem, como eu, ama o original de 1997, é uma viagem emocionante com um asterisco no final. E se você quer mais histórias do tipo pra maratonar, dá uma olhada nos melhores RPGs pra zerar.
Nota Final: 9/10
Final Fantasy VII Remake é uma carta de amor a Midgar e aos seus personagens, com o melhor combate da franquia e uma trilha de arrepiar. Perde meio ponto comigo pelo final ousado demais, mas continua sendo um jogo que eu recomendo de olhos fechados.
E você? Já zerou Final Fantasy VII Remake ou ainda está naquela dúvida de mexer no clássico? O que achou do final com os Whispers e do Sephiroth aparecendo tanto? Concorda que esse combate deveria ser o padrão da franquia? Conta pra gente nos comentários!










