Pokémon Scarlet e Violet, Uma experiência incrível apesar dos problemas técnicos
Como alguém que jogou praticamente todos os jogos principais da série, e depois de ter Sword e Shield como meu jogo favorito, confesso que eu tinha muitas expectativas com a nona geração de Pokémon.
Depois de mais de 130 horas em Pokémon Violet, campanha finalizada, DLCs concluídas e todas as Pokédex completadas, posso dizer que esse é um jogo muito divertido que trouxe diversas mecânicas legais, porém pra mim não conseguiu obter o título de favorito da série.
Mesmo com gráficos fracos, Pokémon Scarlet e Violet entrega uma sensação de liberdade que muda completamente a forma como exploramos o universo Pokémon, mas será que a ideia foi realmente bem implementada?
Chegou a hora de conferir então, Pokémon Scarlet e Violet, análise feita por quem é fã e extraiu tudo que o jogo tem a oferecer.
Gráficos: Um Belo Downgrade da Geração Anterior

O maior ponto fraco do jogo
Não tem muito como defender os gráficos de Pokémon Scarlet e Violet. Principalmente a ambientação. Não me leve a mal, Paldea é uma região com boa diversidade de biomas, mas pra quem veio de um jogo lindo como os da geração anterior, o back a é grande.
Logo nas primeiras horas fica claro que o visual do jogo deixa a desejar. Algumas texturas são extremamente simples, cenários parecem vazios em vários momentos e existe uma inconsistência visual enorme entre personagens, cidades e ambientes naturais.
O problema não chega a estragar a experiência, afinal, gráficos nunca foi o forte de Pokémon, mas é algo notável, principalmente para quem conhece a franquia a muitos anos e sabe o tamanho que Pokémon possui atualmente.
Mundo aberto compensa parte dos problemas
A sensação de sair explorando livremente Paldea após poucas horas de jogo é algo realmente legal e eu diria que até inovador para a franquia. Ver Pokémon espalhados pelo mapa, encontrar grande variedade de espécies, pokémon raros, e até shinies inesperadamente, e poder simplesmente decidir “vou naquela direção” traz uma sensação de aventura que poucos jogos da franquia conseguiram entregar.
Para quem jogou Sword e Shield, é como uma Wild Área melhorada e que abrange o mapa inteiro do jogo.
Veredito dos Gráficos: Nota 6/10 – Não chega a ser desastroso, mas está longe de um jogo bonito.
Gameplay: Muitas Mudanças, a Maioria Bem Vinda
Um Verdadeiro Mundo Aberto
A liberdade de exploração que temos na nona geração de pokémon muda completamente o ritmo do jogo. Você não fica preso em rotas lineares o tempo todo e pode montar sua própria jornada praticamente desde o início, isso deixa a experiência de gameplay muito mais dinâmica. Acaba sendo um pouco mais fácil de se perder, mas também não é como se fosse correr o risco de ficar travado na campanha.
Eu particularmente achei muito legal e bem vinda essa mudança, apesar de achar que ainda tem muita a coisa para melhorar nesse sentido. Paldea é uma região bem vasta, mas que peca em sua construção na minha opinião, algumas cidades até são bem legais e estruturadas, mas entre elas, parece que só tem vazio, falta transições de ambientes e mais lugares interessantes para se explorar.
Mas essa mudança também trouxe coisas boas.
Outro detalhe que gostei bastante por exemplo, foi a não obrigatoriedade de batalhar com treinadores espalhados pelo mapa. Parece algo simples, mas melhora muito o ritmo da exploração. Isso nos jogos antigos tornava tudo mais lento pro desenrolar da história, e as vezes dava até uma certa raiva (quem nunca se estressou em ter que enfrentar mais de 10 treinadores ao final de uma rota, e todos com o mesmo pokémon ainda?).
Em Pokémon Scarlet e Violet isso muda, pois os treinadores espalhados pelo mapa são todos opcionais. Existe é claro um incentivo com NPCs dando recompensas por vencer essas batalhas, mas tendo essa liberdade de escolha da até mais vontade enfrentar os que encontramos pelo caminho.
Por outro lado, enquanto o mapa se expande, os interiores encolhem, bom, eles praticamente não existem. Como eu sou jogador de longa data, desde a primeira geração, isso foi muito estranho pra mim, pois estou acostumado e poder entrar em quase todos os prédios e casas em Pokémon, porém em Paldea são raras as construções que podemos entrar. Não chega a estragar o game, mas pra mim pelo menos fez muita falta.
A variedade de Pokémon é absurda
Outro ponto extremamente positivo é a variedade de Pokémon disponíveis.
Como o mundo é aberto e o mapa é amplo, desde o início do game podemos encontrar uma grande variedade de Pokémon por todos os lugares. Ao menos no Nintendo Switch 2 que foi onde joguei, achei muito interessante observar os pokémon livres na natureza, não é raro por exemplo encontrar Pokémon dormindo em baixo de uma árvore, em bando muitas vezes liderado por uma forma evoluída, ou até isolados em casos de Pokémon mais “solitários”.
A pokédex é extensa, com 400 monstrinhos no jogo base, mas acredite, a quantidade é perfeitamente adequada ao tamanho da região de modo que apesar de ter Pokémon mais comuns de serem encontrados, durante a exploração acabamos sempre topando com novas criaturas.
Diferentemente dos jogos mais antigos, aqui não chegamos a ficar “cansados” de encontrar sempre os mesmos Pokémons selvagens.
Terastalização poderia ser melhor aproveitada
A mecânica de Terastalização é interessante e adiciona possibilidades estratégicas muito legais, principalmente no competitivo.
Porém, durante a campanha, senti que os líderes de ginásio poderiam ter utilizado muito melhor essa mecânica. Em vários momentos parece que o jogo apenas apresenta a ideia, mas não explora todo o potencial dela nas batalhas principais.
Já nas novas raids de batalha que assim como em Sword e Shield comportam até quatro jogadores no modo online, aqui encontramos todo o tipo de Pokémon e se aproveitando muito bem da nova mecânica. Além disso essas batalhas ficaram muito mais rápidas e dinâmicas se comparadas com as da geração anterior.
Ainda assim, considero a Terastalização uma das melhores gimmicks recentes da franquia.
Duração: Quantas Horas de Jogo?
A campanha principal do jogo base leva cerca de 35 a 40 horas para ser concluída. Já as DLCs adicionam cerca de 10 horas cada uma. Já para atingir 0 100%, com missões secundárias e principalmente completando todas as Pokédex eu acabei passando as 130 horas.
Pós-Game: O Que Fazer Depois?

Como esse é um jogo livre para exploração, basicamente quase qualquer coisa pode ser feita a qualquer momento, sendo assim é difícil definir o que fazer em um pós-game.
Mas o que eu fiz foi seguir a história principal e depois fazer as outras atividades, que incluem, as DLCs, missões secundárias para os professores, participar das aulas, e capturar absolutamente todos os Pokémon.
Se você deseja um conteúdo falando mais sobre as DLCs e se elas valem a pena, deixe um comentário que eu faço outro artigo dedicado a esse assunto.
Veredito do Gameplay: Nota 9/10 – Divertido e com diversas novidades para deixar tudo mais fluído para os padrões dos jogos da franquia.
História: Interessante, Porém Fraca
Uma narrativa mais divertida e emocional
Pokémon nunca foi exatamente conhecido por histórias extremamente complexas, e Pokémon Scarlet e Violet não são diferentes.
As diferentes campanhas funcionando paralelamente ajudam bastante a manter o jogo interessante, mas até boa parte do jogo não há nada que realmente prenda a atenção e desperte curiosidade.
O grande destaque está na reta final.
Sem entrar em spoilers, a parte onde todos os amigos feitos durante a jornada se unem para a missão final foi facilmente meu momento favorito do jogo inteiro.
Foi um encerramento que passou sensação de aventura, amizade e evolução dos personagens, esquece a Elite dos quatro, busca por insígnias, ou uma equipe do mal tentando fazer alguma coisa, o que prende mesmo o jogador aqui é essa parte final.
Faltou um grande vilão
Ao mesmo tempo, senti falta de um antagonista realmente marcante.
Os jogos antigos tinham equipes vilãs muito mais memoráveis, e isso faz falta em Scarlet & Violet. Existe conflito na história, mas falta aquela sensação clássica de enfrentar uma grande ameaça durante a jornada.
Ainda assim, a narrativa é divertida e consegue manter o jogador envolvido principalmente mais pro final.
Veredito da História: 7/10 – Pouco envolvente até mais da metade do game, mas ainda assim interessante.
Trilha Sonora: Nada de Mais
A trilha sonora de Pokémon Scarlet e Violet talvez seja lá grande coisa, pra ruim não serve, mas também não consegui encontrar nada de excepcional.
As músicas durante exploração na parte final ajudam bastante na sensação de aventura, enquanto algumas batalhas possuem temas bons.
Talvez não alcança o nível icônico de jogos antigos da franquia, mas cumpre o seu papel sem se sobressair.
Veredito da Trilha sonora: 8/10 – Boa, mas nada excepcional.
Pontos Fracos: O que poderia ser melhor?
Bom, acho que já está claro que Pokémon Scarlet e Violet tem muitos pontos a melhorar, mas vou elencar os principais aqui segundo a minha opinião.
1. Gráficos Abaixo do Esperado
É natural que se espere uma melhoria gráfica em sequencias de jogos, porém, pra quem jogou a oitava geração de Pokémon, sentiu o downgrade gráfico que a franquia teve.
2. Mundo Aberto Pouco Aproveitado em Algumas Áreas
Apesar da liberdade de exploração e vastidão da região de Paldea, muitos lugares não possuem atrativos suficientes para despertar curiosidade ou vontade de explorar.
3. Falta de Um Vilão Marcante
Não há como negar que Pokémon Scarlet e Violet traz uma história mais “bobinha” que seus antecessores. De fato, a falta de ter alguma coisa mais substancial e grave rolando não dá aquela vontade de avançar na história em busca de um desfecho.
4. Distribuição de Níveis Poderia ser Melhor
Nesse jogo, cada ginásio e área do mapa, já tem seus níveis definidos, e como a exploração é livre e não tem nenhum tipo de caminho sugerido, é comum chegar em um desafio muito acima ou abaixo do nível esperado, tornando o que deveria ser uma batalha desafiadora em algo muito fácil que perde a graça, ou então uma coisa simplesmente impossível de se passar.
5. Terastalização Pouco Explorada Pelos Líderes de Ginásio
A mecânica da terastalização é muito versátil e interessante, porém me decepcionei nos ginásios, pois como já é de praxe, cada ginásio tem sua temática por tipagem de pokémon.
Na minha opinião os times dos líderes poderiam se aproveitar dessa mecânica pra deixar a batalha mais tática, e impedindo que o jogador leve um pokémon com ataques super efetivos contra determinado tipo e lime completamente o time adversário. Isso não só não acontece, como é altamente previsível e colabora com essa abordagem.
Pontos Fortes: O Que Brilha em Pokémon Scarlet e Violet?
Apesar de todos os defeitos, o jogo ainda assim é muito divertido e tem sim suas qualidades.
1. Liberdade de Exploração
Com certeza a liberdade de ir para qualquer lugar e fazer a sua jornada única é um grande diferencial para a franquia, e ao meu ver, é uma coisa que deveria ser melhorada e utilizada em todas as sequencias daqui pra frente.
2. Grande Variedade de Pokémon
Outra coisa que foi muito bem vinda nessa geração é a variedade de pokémon selvagem. Isso deixa o jogo mais vivo, e não deixa o jogador cansado de encontrar sempre os mesmos monstrinhos todo o tempo.
3. Treinadores Opcionais
Sem dúvida não ser obrigado a batalhar com os treinadores espalhados pelo mapa foi uma das coisas que mais me agradaram nesse jogo.
Não que as batalhas contra esses NPCs não sejam legais, mas as vezes a gente só quer passar por um lugar, ou então a party já está toda desgastada e precisamos de um centro pokémon. Enfim, ter essa possibilidade de passar direto por eles é realmente sensacional.
Vale a Pena Comprar Pokémon Scarlet e Violet?
Mesmo com problemas técnicos bastante evidentes, Pokémon Scarlet e Violet foi uma experiência que me divertiu bastante, afinal, Pokémon tem uma atmosfera única.
A Game Freak claramente ainda precisa evoluir muito no aspecto técnico e visual da franquia, mas ao mesmo tempo conseguiu criar uma base extremamente promissora para o futuro dos jogos Pokémon.
Dito isso, ainda acho que esse é um jogo que vale a pena pra quem gosta da franquia.
Meu Veredito Pessoal
Depois de mais de 130 horas, completando Pokédex, DLCs e explorando tudo que o jogo tinha para oferecer, ficou claro para mim que Pokémon Violet acerta justamente no mais importante: ele consegue fazer a aventura parecer nova novamente.
Minha fórmula favorita ainda continua sendo a de Sword e Shield, principalmente pela mistura entre rotas lineares e Wild Area, mas Scarlet e Violet mostrou um caminho com muito potencial para os próximos jogos.
No fim das contas, recomendo Pokémon Scarlet e Violet tanto para fãs antigos quanto para novos jogadores.
Se você consegue relevar os problemas gráficos, vai encontrar aqui uma experiência muito divertida.
Se gostou e tem interesse pelo game, confira já os melhores preços:
Nota Final: 7,5/10 — Um novo jeito de jogar Pokémon com seus problemas, mas com muitas inovações interessantes.






